segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Wladi o Poeta


Meu eu....



Sou poeta



Sou poeta, transformo o feio em bonito
E adoro esse efeito, esse meio de expressar
Minha interioridade...
Sou amigo das letras e amante da harmonia,
E quando entrego-me a elas sinto-me pertencido,
Completa-me o ego.                                 
Minha afinação melodiosa com o trivial, abriga
Um mistério universal que hipnotiza aos sensíveis.
O imperfeito também me ilumina, me inspira, me
Traz a realidade o fato de sermos únicos e sei
Que nunca seremos completos, mas sou poeta e
Faço o papel de sol, para os que sentem frio, entenderem
A leveza das letras como um remédio ao tédio.

Acesse: resenhasdeumvampiro.blogspot.com/

Manuca Almeida



Eu tenho medo de lhe amar

Eu tenho medo de lhe amar
Mas do que amo
Eu tenho tantos planos
Pra nós dois.

Eu podia me esconder de você,
Eu podia até me perder,
Eu podia não querer mais nada.

Eu tenho medo
De amar
Mas sei que sou capaz
Eu sou apenas um rapaz ingênuo.

Eu não quero duvidar
De mais um sonho
Dum sonho não se deve
Desacreditar
Eu prefiro mergulhar
Inteiro.

Ai amor
Na vida ha sempre
Um novo momento
Deixe o sentimento
Semear no vento
Deixe esse momento
Semear o amor.

www.manucaalmeida.com.br



Livro Lançado






Falar de amor para quem ama é fácil,
pois apenas deixa fluir o que vem de dentro
o que o sentimento manda
o que o coração ordena.
Manuca  Almeida fez assim, deixou o coração dar as ordens
e escreveu o livro “Além do Amor”.

O livro que acaba de ser lançado, como o nome já diz,
fala de amor e nos leva a uma leitura fácil e gostosa,
tem a apresentação de Maurício de Sousa, Projeto Gráfico do AP303
e Produção de Lu Almeida (Provedor de Ideias).
Veja uma pequena prévia no link:

 http://issuu.com/dandara/docs/manucaalmeida/15

Os livros estão disponíveis à venda para todo Brasil
através do provedordeideias@gmail.com e 74 3611.5280

Manollo Ferreira


 OPARÁ !!! ... Antagônias Em Curso...!



Ao levante do teu leito
Estende-se a plenitude
Do nobre senhorio.
Dos seus mitos, lendas, rituais e crendices
Mergulham histórias e estórias...
...Memórias a emergir
De nossa Senhora da Rapadura,
Ao Nego D’Água... A Mãe D’água...
Barcos nas crenças a navegar
Resguardados nas carrancas,
Águas a desbravar,
À pesca por muitos se faz alimentar.
Pelo manancial que mana e emana
Barragens energia a gerar
Natureza o homem fez por transformar,
Do fruto a terra semente a brotar,
A boca sedenta na sede a molhar.
No esboço do seu fluxo
Belíssimas Ilhas têm por ti a adorná-lo
Paradisíacos cenários em terra a figurá-lo.
 Imponente OPORÁ, Rio da Integração Nacional,
Lendário Rio dos Currais,
Velho Chico, Rio São Francisco!
Hoje já não mais tão Saudável
No contraditório do seu legado
És vitimado pela destruição da sua mata ciliar
Sucumbindo-o à agressão da erosão
Em detrimento o assoreamento,
Que se faz a moléstia da sua exaustão,
Às secas lágrimas que afogam-se na lamentação
No curso das antagônias por exaurir.

Manollo Ferreira









Sou Assim!!!


Eu queria incontestavelmente ter nascido menino... Ao tempo...

Tornando-me homem... Ao tento! E festejado o meu último aniversario, ao lento sentido com quem estar por existir.

Eu queria indubitavelmente ter chegado posterior ao meu último suspiro, para não poder de nada me arrepender.

Eu queria impreterivelmente ter morrido pretérito, para em morte futura ter realizado o já vivido por lágrimas a florir.

Eu queria inadiavelmente ter me despedido daqueles que partiram na manhã do dia seguinte, para não se perder o estar presente de estar.

Eu queria filosoficamente ter encontrado o tempo de se ter, para no tempo da morte se viver.

Entretanto sou assim... Essencialmente ÁTOMO!

{Eu ! Manollo Ferreira}






quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Antonila da França Cardoso



  O  Saudoso Apito De um Trem



      Casualmente vimos, nesta semana, a passagem  de um dos velhos trens da leste. Confessamos nem lembrar se eles ainda existiam. A máquina desgastada, resfolegante, puxava um grande número de vagões que sacolejavam nos trilhos. Paramos para olhá-lo, evocando um tempo de criança em que era comum dar adeus aos que acenavam das janelas. Mas, para nosso espanto, não havia pessoas nas janelas. Aliás, tivemos a impressão de que as classes estavam vazias. E reparando bem, já não eram tantas como antes. Na maioria, vagões de carga. Apenas um de passageiros. Sem querer, reportamo-nos aos dias áureos da Rede Ferroviária leste Brasileiro em nossa região.
     Juazeiro, terminal da linha férrea para Salvador, desfrutava uma situação privilegiada. O antigo prédio de nossa estação, um primor de arquitetura, majestoso, de frente para o rio, impunha-se aos que visitavam nossa cidade. Grande e arejado, oferecia relativo conforto a quem aguardava a chegada ou saída dos trens. A maior parte das pessoas, no entanto, preferia esperar, andando pela plataforma por que temos uma felicidade enorme de transformar qualquer local amplo em passeio público.
     Domingo às 11 horas, era chique passear na estação da leste, minutos antes da saída do trem. Moços, velhos, crianças, todos os que iam viajar, numa só agitação, queriam ocupar os seus lugares. E bem os passageiros não sentavam, já começavam os pedidos de favor: uma carta para o noivo, um tecido "igualzinho a este da amostra" , óculos para trocar as lentes, uma pulsera ou um colar da moda, de tudo um pouco. Mães cuidadosas levavam cestas ou caixas com doces, biscoitos e frutas para seus filhos que estudavam na Bahia. (Inexplicavelmente naquela época, nenhum interiorano se referia à capital como Salvador!) É verdade que nem sempre tais incumbências eram levadas a sério, e muitas são as anedotas que a esse respeito os estudantes daquela época podem contar, mas ao final tudo terminava entre risos.
    O apito do chefe da estação apressava as últimas recomendações, lembranças, despedidas. Com um silvo sentido, o maquinista fazia mover a locomotiva. Primeiro indecisa, relutante, como se não quisesse ir; depois decidida e impetuosa, afinal. Atrás dela, como enorme serpente ondulante, o corpo de vagões de carga, correio, funcionários, restaurante, segunda e primeira classes, beliches, camarotes. Preços para atender a todos os gostos e possibilidades. Desaparecendo na curva, ainda se podia ver, à distância, um sem número de lenços e mãos agitando adeuses nas janelas. A fumaça da locomotiva deixava no céu um rastro de saudade . E a multidão se dispersava satisfeita, com ares  de quem cumprira agradável dever.
     À tarde repetia-se inversamente o mesmo espetáculo. O apito soava em Piranga e era o tempo necessário de as pessoas saírem apressadas para a estação. A maior parte dos presentes não esperava pessoa alguma, em particular. Ia assistir à chegada do trem, receber o jornal da véspera, informar aos passageiros as últimas novidades, tomar conhecimento dos novos visitantes e das notícias. Por muitos anos, aos domingos e quintas-feiras, esse foi um programa quase obrigatório na vida do juazeirense.
    Certa feita, como uma bomba, explodiu uma notícia espantosa: "A leste ganhou um trem expresso. Ele faz o percurso Juazeiro - Salvador no mesmo dia!" Muita gente não acreditou possível esta façanha. A chegada do primeiro expresso constituiu fato histórico, com quase toda a população urbana esperando na estação para ver e crer. E a máquina que era capaz de vencer tão grande distância em um único dia foi assunto para muitas semanas. Por ser colorida e charmosa mereceu logo o apelido de "Marta Rocha".
    Superadas as maçantes baldeações e as dormidas em Senhor do Bonfim, afastada e perspectiva das viagens noturnas, temerosas para tantas pessoas, os trens receberam novos usuários, confiantes, entusiastas.
   Tudo ia muito bem até o dia em que o progresso fez surgir uma rodovia asfaltada entre nossa cidade e a capital baiana. Tornou-se factível realizar a enfadonha viagem em apenas sete horas, de ônibus ou em cinco, de automóvel. Isso determinou o declínio da Leste em nossa região.
    Hoje, pouco utilizada, meio esquecida dos juazeirenses, a velha Rede Ferroviária Leste Brasileiro para nós só existe na evocação do saudoso apito de um trem.

                                                                                                    Juazeiro, 1974


Livro: Umas e Outras Crônicas

Joseph Bandeira



VAPORZINHO



O Vaporzinho de hoje
é o Vaporzão de ontem.
Como tudo muda!...
A 6 de julho de 1.871,
mesmo sem compensação à incomparável perda
de Castro Alves
que morria naquele dia, mês e ano,
recebeu-o aqui a Bahia,
no porto de Juazeiro,
de Minas Gerais partido,
os primeiros vestígios trazendo
do posterior suposto conforto
de viajar sobre as águas do São Francisco,
e a oficial primeira visita ao país dos angaris
da mais formosa sociedade do percurso.
Algo me diz que há 106 anos era bem diferente
o Saldanha Marinho!
Álcool me diz que hoje são outras as águas.
Do peixe de ferro superaquático
de propulsão a vapor
pelo rio e antigamente
resta a história apenas
e o fim do ciclo.
Navegar já não é preciso
e viver nem impreciso.
O rio quase já nem é visto
e o navegado nada.
Deserto é seu nome
e longe é seu lugar.
E nem pode persegui-lo o Vaporzinho,
nem ser perseguido.
Até o sentido e a direção
de seu não ser mais rio
ao em vez de chegando
hoje é de partindo.
Viagem é o dia a dia
de solidão mais que precoce e bastante
de após despedida a dar-se
a qualquer tempo espaço iminente
ou já defluido.
Rolam as águas
num rumo apenas de saudade.
A marinhagem morreu toda afogada
no rio do tempo.
A tripulação
é a dos navios fantasmas.
No convés, todavia, há festa
de mortos vivos ou de vivos mortos,
ininterrupta como a morte e a vida,
intérmina como o quotidiano
de cabaré e discoteca
em que melancolicamente se vai transformando
o Saldanha Marinho de hoje.